Lucas trocou uma ideia: Orthostat
- 1 de abr.
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O Orthostat é uma banda de Death Metal de Jaraguá do Sul/SC, formada em 2015. Sua sonoridade é marcada por um clima sombrio, pesado e ao mesmo tempo brutal e agressivo, com forte influência do Death Metal old school dos anos 90, como Incantation, Autopsy e Malevolent Creation, além de incorporar elementos de Doom Metal e estruturas rítmicas complexas. Conhecida por ter o hábito de se apresentar com frequência ao vivo , já dividiu o palco com nomes de peso como Krisiun, Sinister, Enthroned, Crypta, Master, Black Pantera, Skeletal Remains, entre outros.

ENTREVISTA:
Conte-nos um pouco sobre os integrantes da banda e como vocês começaram.
O Orthostat surgiu em Jaraguá do Sul no início de 2015, quando David Lago e o então baterista Márcio Coelho (Cebola), que tocavam na banda Impiedoso, tiveram a ideia de criar um projeto de Death Metal mais “old school”. A proposta inicial era despretensiosa, sem compromisso com ensaios frequentes ou lançamentos. Ainda em 2015, Eduardo Arbigaus e Hector Maiochi se juntaram à formação.
Em 2016, a banda lançou sua primeira demo, que se esgotou em poucas semanas, trazendo grande motivação e consolidando o projeto como uma banda séria. Em 2018, Rudolph Hille assumiu o lugar de Hector, e, no ano seguinte, Igor Thomaz substituiu Márcio na bateria. Desde então, o Orthostat segue firme com essa formação.
Orthostat é um nome de presença, e agora tem um peso significativo na cena do metal brasileiro. É interessante observar que ao pesquisar o nome no Google, os resultados chegam imediatamente na banda. Isso foi proposital? Como vocês chegaram nesse nome e o que ele significa pra vocês?
Uma das principais filosofias da banda é manter sempre uma rede forte de amizade e contato com outras bandas, zines, blogs, distros, bares e todo tipo de artista que circula pelo underground. Essa conexão e parceria foram fundamentais para a divulgação dos nossos trabalhos e para nossa presença em diversos meios. O underground se constrói com apoio mútuo e colaboração, e o networking é essencial para que tudo isso continue acontecendo.

O Monolith of Time foi o primeiro lançamento de vocês, e a banda já começou estourando os limites da expectativa. Porém o The Heat Death foi sem dúvidas o que levou a Orthostat a outro patamar. Como foi o processo de composição do The Heat Death? Qual é o conceito do álbum?
Durante a gravação do Heat Death, estavamos numa fase bem sólida internamente. A formação já tava mais estabilizada, a galera alinhada na mesma proposta e com uma visão bem clara do que queria entregar, tanto em som quanto em conceito. Isso fez muita diferença no processo, porque tudo fluiu de forma mais natural. Rolou bastante cuidado com composição, timbre, execução… foi um processo mais detalhista. O conceito de Heat Death, gira em torno da ideia da “morte térmica do universo”, um tema vindo da física e da cosmologia. Basicamente, é aquele cenário em que o universo chega a um estado onde toda a energia já foi dissipada e não existe mais diferença de temperatura e nada mais acontece, não há movimento, nem vida, nem reação, só um vazio frio e eterno. Usamos esse conceito como base para criar uma atmosfera bem densa e niilista.
Na impressão que vocês tem, a cena de death metal underground tem se politizado cada vez mais? Ou essa mudança é ainda muito nichada?
O nosso Death Metal underground Brasileiro é um estilo muito politizado, muitas bandas se posicionam e deixam claras suas opiniões. Claro que sempre tem aquelas que preferem ficar em cima do muro ou evitar se expor, mas no geral, é um cenário com bastante posicionamento. Quando a gente tocou no Nordeste, isso ficou ainda mais evidente. A galera lá é bem organizada e tem um alinhamento ideológico muito forte, o que acaba refletindo bastante na cena. Em Santa Catarina, em alguns locais e cenas especificas, nossa opinião progressista nem sempre é vista com bons olhos, mas foda-se né?

Quais são os maiores desafios da Orthostat hoje no cenário underground?
Acho que é o mesmo desafio da maioria das bandas: sobreviver. Como é um estilo bem nichado e com uma cena muito específica, conseguir se manter ativo e fazer tudo de forma viável exige muito trabalho, dedicação e persistência.
Recentemente, vocês fizeram uma turnê pelo Brasil. Como vocês organizaram esse rolê? E como foram recebidos nos outros estados?
Tivemos apoio de algumas produtoras, como a Tumba, Bruxa Verde, Hellcife, LBN, mas muita coisa a gente mesmo correu atrás, organizando rolês na base do contato com parceiros e amigos de outros estados. No fim das contas, sentimos que a cena é muito parecida no Brasil inteiro, claro que existem diferenças culturais e estruturais, mas o espírito underground é o mesmo em qualquer lugar. Uma coisa que chamou bastante atenção foi o quanto fomos bem recebidos por onde passamos. Desde o Rio Grande do Sul, passando por Paraná e São Paulo, até o Nordeste e o Rio de Janeiro, tivemos experiências muito positivas. Isso só reforça a vontade de voltar mais vezes e manter esses contatos vivos.

Quais são os planos da Orthostat para 2026? O que podemos esperar?
Em 2026 a gente vai dar uma segurada nos shows pra focar mais na composição e na gravação do nosso terceiro álbum. Foram três anos bem intensos, sempre na estrada e na correria, e em nenhum momento a gente se permitiu parar pra se dedicar as gravações. Claro que ainda vão rolar alguns shows pontuais ao longo do ano, mas o foco principal agora é entrar no estúdio e trabalhar pra lançar o nosso melhor álbum até aqui, hehe. Depois do lançamento do novo disco, ai voltamos para a estrada, a muitos lugares no Brasil para ir, e muito para retornar.
A gente agradece demais pela entrevista feita pelos amigos da Controversy e do Cemitério dos Vivos, bandas que a gente admira muito e que representam de verdade o underground de Joinville.



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