Lucas trocou uma ideia: Rúbia Domeciano, baixista e vocalista da Cruciate
- há 14 horas
- 5 min de leitura

Formada em 2024, a banda Cruciate é oriunda da cidade de Florianópolis/SC, praticando uma sonoridade death metal old school que mescla slam death e pitadas de goregrind.
A formação fixa da banda conta com Rubia (baixo), Renan (bateria), Ardley (Guitarra) e Amabile (Guitarra). Em sua temática, abordam assuntos perturbadores da mente humana inspirados em serial killers, junto a assuntos de críticas ao sistema. A Cruciate é uma banda antifascista, se posicionando contra e não compactuando com qualquer movimento de cunho higienista.
Recentemente, o grupo lançou seu primeiro trabalho, o EP "Cruciate Ligament of Atlas" , cujo título se origina de um ligamento do pescoço, inspirado pelo nome da banda. O material oficial de divulgação já se encontra nas principais plataformas de streaming como Spotify, Deezer, Apple Music e Bandcamp. A Cruciate também lançou em Agosto o seu primeiro videoclipe da faixa “Smell Of Decay” , que se encontra no seu canal oficial do YouTube, junto ao Lyric Video da “Name the Shame” . Está trabalhando no seu próximo lançamento no segundo semestre de 2026 que será um EP com 5 músicas, sendo elas “Pleasure of Torture, Ancestral Hatred, Rotten Collapse, Pepper Powder e Crowned Earth” , cujo titulo será “The Earth Remembers the Names of the Dead. ” Lançado na sexta-feira 13 de março o Single ao vivo no Metal Massacre no Bob Rock Festival, a faixa “Nekromantik”, disponivel nas plataformas digitais!
A banda, estreou oficialmente nos palcos em Dezembro de 2024, vem tocando em grandes festivais regionais do estado de SC, como o Otacílio Rock Festival e o Bob Rock Festival. Duas apresentações fora do estado em Curitiba/PR, e São Paulo/SP, tendo dividido palco com bandas como Cemitério (SP), Malefactor (BA), Maze of Terror (Peru), ROT (SP), Podridão (SP), Velho (RJ), Uganga (MG), Chaos Synopsis (SP), Vulture (SP), Finita (RS), Ethel Hunter (PR), Deadnation (SC), Zombie Cookbook (SC), Orthostat (SC), Oath of Persistence (SC) e outras.
ENTREVISTA:
Fale um pouco sobre a história da banda. Como começou a Cruciate? Quem são os integrantes e o que motivou vocês a fundar o grupo?
Rúbia: Nós estávamos em um aniversário onde estava rolando uma jam de vários amigos tocando, e em certo momento o grupo que juntou para tocar na hora foram eu (Rúbia), Renan, Vini e Laks, que já não estão mais na banda, porém fizeram parte desse processo. Após essa jam eu perguntei se o pessoal estava afim de inventar um projeto, porém no momento eles não estavam disponíveis. Eu continuei procurando guitarrista para dar a ideia no projeto, foi onde perguntei novamente pra eles depois de alguns meses se já estavam prontos para a ideia e todos eles toparam.
Aniversário de quem não sabemos, mas o presente veio pro underground.
De onde surgiu o nome Cruciate? Qual impressão vocês querem passar com ele?
Rúbia: O nome "Cruciate", como todos pensam, não vem da palavra "cruzado", ele é referente a um ligamento do pescoço que se chama cruciate ligament of atlas, a mensagem por trás do nome é bem objetiva mesmo, romper pescoços com a sonoridade.
E desce rasgando o pescoço mesmo!

A Cruciate se denomina uma banda de death metal oldschool. Isso foi proposital desde o início, ou a sonoridade foi sendo construída no decorrer da experiência de composição?
Rúbia: Nós tínhamos ideia que fosse death metal oldschool desde o início. Porém a maioria estava iniciando e não sabíamos como encaixar essas ideias muito bem, quem nos viu tocando desde o primeiro show sabe que nosso som foi se lapidando bastante e conseguindo chegar no caminho que esperávamos.
Como é o processo criativo de composição da Cruciate?
Rúbia: Nosso processo de criação sempre foi por jam, a galera chega, mostra algum riff e vamos inventando na hora mesmo. Depois disso colocamos letra em cima, mas sempre foi bem livre esse processo, pois utilizamos riffs de todos os integrantes. Apesar de Ardley e Amabilly conseguirem entender melhor as ideias e criarem mais coisas, todos acabam compondo e modificando todos juntos.

No cenário neofascista que o Brasil se encontra, posicionamento é algo muito importante, e a Cruciate nunca falha em carregar a bandeira antifa para os shows e passar a mensagem de que massagem de nazi é martelada. Como vocês veem a questão do posicionamento das bandas na cena underground hoje em dia? Qual é o impacto que vocês esperam que o posicionamento pode gerar na cena?
Rúbia: Nós como um todo vemos que falta bastante posicionamento, por medo de cancelarem a banda por ser "militante" ou de perder show e até mesmo público, mas é isso que devemos entender, será que queremos que essas pessoas das quais ideias eugenistas, fascistas, neonazi perambulam na mente escutem nosso show? Queremos que essas pessoas usem nossa camiseta? Devemos nos posicionar justamente para que não esqueçam das atrocidades que rolaram e rolam na nossa história, no meio underground e no dia a dia, é necessário tocar na ferida e carregar uma causa social.
Quais são os maiores desafios que a Cruciate enfrenta no cenário underground?
Rúbia: Acredito que nosso desafio nem é um desafio, pois fazemos com alma. Mas é o que toda banda underground passa, horas de estrada para tocar por cerveja e gasolina, cansaço físico, dormir mal e também a geração de dúvida que a banda causa por ter integrantes mulheres, como já falei outras vezes sobre isso, há sempre uma dúvida quando se trata de mulher no palco, eles não criam esperanças de que você vá entregar um som decente, mas tirando isso, é tudo feito com o calor da alma, então não nos importamos com esse lance de baixa remuneração no underground, poderia ser melhor, mas não iremos deixar de fazer o que dá arrepios por conta disso, temos que tratar como hobbie, e não confundir hobbie com fazer mal feito, mas fazer algo que todos da banda gostem sem esperar que o reconhecimento venha, se tiver que vir ele virá. Não devemos forçar a barra e cobrar que a cena mude da noite pro dia e que as bandas sejam bem pagas sendo que essa cultura é carregada há anos.

Pra quem curte a sonoridade brutal da banda, que outras bandas do underground vocês sugerem?
Rúbia: De bandas brasileiras eu indicaria Escafism, Cujo, Sepulcro, Cemitério dos Vivos, Neural Abyss, Café Preto sem Açúcar, Inpurge, Podridão, Gutted Souls, bandas das quais tem muito potencial.
Sobre nossas influências, temos muitas de fora do Brasil também, como: Devourment, Deeds Of Flesh, Putrid Pile, Cerebral Effusion, Dehumanized, Digested Flesh, essas bandas com temática brutal death irão e são bastante parte da influência da Cruciate, assim como clássicas do doom e death oldschool, como Degraved, Depravity, Derketa, Dismember, etc.
Fale um pouco sobre os planos pro futuro da banda. O que esperam para 2026 e além?
Rúbia: Esse ano estaremos lançando nosso próximo EP em que a temática será referente a colonização indígena, estamos terminando esses sons para iniciar a gravação e pretendemos também continuar fazendo shows por aí.
E estaremos esperando!




Comentários