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Lucas ouviu: "Alchemical Veritas", Orthostat e Precipício

  • 1 de abr.
  • 4 min de leitura

Recebemos mais uma pedrada na cabeça, e os culpados foram a Orthostat e a Precipício. As bandas lançaram em 10 de Junho de 2025 um split, o “Alchemical Veritas”. O EP apresenta quatro faixas compostas e executadas com muito esmero, uma verdadeira alquimia de insanidade e surpresas.


RELEASE DAS BANDAS SOBRE O EP


O EP Alchemical Veritas apresenta um conceito que gira em torno da busca pela verdade por meio da transformação, inspirado na ideia de alquimia não apenas como processo material, mas principalmente como mudança interna, filosófica e espiritual. A proposta mistura elementos de autoconhecimento, ocultismo e questionamentos existenciais, criando uma atmosfera densa e interpretativa, típica do metal extremo underground.


No lado do Orthostat, a abordagem é mais voltada à filosofia e à estrutura racional. As faixas trabalham conceitos como propósito da existência e as leis que regem o mundo, explorando a relação entre ordem e caos, além da tentativa de compreender a realidade através de uma lógica mais analítica. Existe uma sensação de busca por sentido dentro de um sistema maior, como se a verdade pudesse ser encontrada por meio da razão e da compreensão das regras que estruturam a existência.


Já o lado do Precipício segue por um caminho mais obscuro e ritualístico, com forte influência do ocultismo. As músicas abordam ideias como conhecimento proibido, vontade, poder e transformação por meios não convencionais. A presença de elementos simbólicos e iniciáticos sugere uma jornada mais intuitiva e transgressora, onde a verdade é alcançada através da experiência, do risco e do contato com forças ocultas, muitas vezes ligadas a processos destrutivos ou sombrios.


No conjunto, o EP cria um contraste entre duas formas de busca pela verdade: uma baseada na razão e na estrutura, e outra fundamentada no oculto e na experiência. Apesar das diferenças, ambas convergem para a mesma ideia central, a transformação como caminho inevitável para alcançar algum tipo de verdade interior.



RESENHA


Sobre as faixas da Orthostat, mantiveram a qualidade que sempre apresentaram, desde o “Monolith of Time” e aquele outro álbum lá, o “The Heat Death”, também conhecido como um dos melhores álbuns de death metal de SC. A primeira faixa do EP, “Telosophy” já chega marcando presença no primeiro minuto, te preparando para um som caótico e sombrio, mas de repente... calmaria, densidade, peso, razão. O vocal preenche um fundo no som, um fundo cavernoso e sinistro, agressivo, grave, mas também sereno. A guitarra entra com solos melancólicos na ausência das estrofes da letra, solos esses que, assim como nos trabalhos anteriores da banda, sempre encontram notas surpreendentes e fora da caixa. A bateria é complexa, criativa, intensa (e a condução leva muito dano no decorrer da faixa). Na segunda faixa, “Nomology”, a dinâmica se inverte. Começamos calmos, com um baixo de peso cravando a sua bunda na cadeira para ouvir o som com atenção. Depois da introdução, ali pelos 27 segundos, o riff alterna entre uma bateria cadenciada e uma metralhada no ouvido. Vale mencionar que tanto a faixa anterior quanto essa, fazem aquela brincadeirinha de estender o compasso dos riffs para fazer o ouvinte bater cabeça no tempo errado. Lá pelos 2 minutos, rola um trecho de vocal meio telefone antigo falando uma língua com muitas consoantes. O som termina pisando no seu cérebro, que a essa altura já deve estar bem amassada. Gostei muito da escolha de terminar a música com um acorde dissonante, ele parece avisar que seu espancamento ainda não acabou.

 


Nesse momento, a Orthostat vai descansar. Agora respira, ouvinte, que você vai cair num precipício, e a queda é bruta.




Na terceira faixa, “Saber, Querer, Ousar, Calar”, a Precipício começa com uma introdução macabra, com um riff simples que gruda na cabeça, e embora simples, sempre finaliza com uma outra guitarra tocando o mesmo riff em uma quinta justa, trazendo aquele sabor de desgraça. E aí, a desgraça se instala por completo. Na marca de 1 minuto, a música traz uma bateria insana, aquelas que deixa um sabor de sangue na boca de quem entra no mosh nessa hora. As cordas acompanham a loucura, marcando o momento certo de desviar do cotovelo do colega. A música mantém essa dinâmica intensa até mais ou menos 2:40. Aqui entra um riff belíssimo, mas não, não haverá flores a partir daqui. A música termina com uma ambiência bizarra, perfeita para um filme de terror. Essa ambiência nos leva para a próxima canção. A quarta e última faixa, “Nefastas Alquimias”, chega tirando o último fôlego do ouvinte (se é que sobrou alguma coisa). A caixa clara canta nessa música, o blast beat aqui não é brincadeira. O vocalista corta todo fio de tranquilidade que restava na alma de quem chegou até o final. Em 1:50, o bagulho fica louco. Esse foi o riff que mais curti do EP, é aquele momento que a banda fica com pressa para terminar a música e chega atropelando tudo no caminho. O som volta para os riffs anteriores, pedal duplo martelando as canelas de todo mundo, e depois volta para aquele riff homicida que mencionei anteriormente. Terminamos o EP com uma ambiência similar à faixa anterior.

 

Mais uma obra absurda da Orthostat e da Precipício. E você que está lendo, para de vacilar e vai lá ouvir.

 

 
 
 

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