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Lucas trocou uma ideia: França, baixista da Atlantis

  • 5 de mai.
  • 4 min de leitura

Atlantis é uma banda power trio de Heavy Metal formada em meados de 2013, na cidade de Jaraguá do Sul/SC. Influenciada por bandas como Iron Maiden, Angel Witch, Diamond Head e outras da N.W.O.B.H.M e também da nova onda do metal tradicional, como Cauldron, Enforcer e Skull Fist, lançou seu segundo álbum recentemente e já tem o terceiro em processo de composição. Atlantis costuma abordar em suas músicas temas relacionados ao ocultismo, filmes, livros e também temas existenciais, se inspirando nas vidas dos próprios integrantes



ENTREVISTA


  • Conta pra gente como vocês começaram a banda e quem são os integrantes.


A Atlantis começou em meados de 2013, fundada pelo Tino (guitarra/vocal) e eu, França (baixo). A formação atual é completada pelo Walter (bateria), porém, por questões pessoais, ele está sendo substituído pelo Raphael, que fez seu primeiro show no dia 1º de maio no Hangar 7 após apenas um ensaio.


  • A logo da banda é memorável e remete bastante ao heavy metal tradicional. Como chegaram ao nome Atlantis e quem fez a logo?


Sim, essa foi justamente a intenção, remeter principalmente ao movimento NWOBHM. A escolha do nome veio to Tino, inspirado pela música de mesmo nome do Angel Witch (banda que foi uma inpiração para a gente). Já a logo ficou a cargo do Fabiano Blator, baterista da Battalion.



  • Embora os dois álbuns sejam incríveis, é notável o salto de qualidade e amadurecimento do primeiro para o segundo disco. Como foi o processo de gravação do primeiro disco e o que vocês aprenderam e aplicaram na gravação do Volume II?


O processo de gravação do primeiro disco foi um pouco arrastado por questões pessoais nossas e da galera envolvida. Já fazem oito anos que gravamos ele, e olhando em retrospecto há muitas coisas que faríamos diferente, algumas delas foram de fato aplicadas no Volume II, que apesar de ter sido lançado apenas ano passado, foi gravado em plena pandemia. Acho que um exemplo disso é justamente o amadurecimento que você mencionou. Acho que no primeiro álbum a gente estava tentando mostrar que sabíamos tocar em alguns momentos, tentando deixar as coisas épicas e tal. No segundo, as composições são diferentes, estamos mais

descontraídos e nos descobrindo mais como banda. Esse processo de descobrimento está chegando a um ponto muito interessante no momento atual da banda.



  • No disco Volume II, existe algum conceito que amarra as músicas?


As músicas Crimson Lips e Drive são as duas partes de uma mesma história. Tirando isso, não há um conceito definido. Contudo, nota-se que começamos a sair um pouco dos temas de literatura/cinema/história que marcam o primeiro álbum, e em algumas músicas abordamos temais mais pessoais.


  • Falando em desafios, é notável que o underground passa por muitos. Como é a cena na cidade de vocês? Tem crescido, parece estagnado, ou tem decaído?


Eu vejo que em Jaraguá a cena tem se renovado, tenho visto alguns rostos jovens que não via nos rolês antes e, trabalhando com adolescentes, consigo notar a cada ano alguns novos entusiastas dos caminhos do metal, e parece que há uma nova geração nascendo. Contudo, a renovação de bandas na região está mais lenta do que era quando nós surgimos. Há algumas coisas novas rolando, mas não tanto quanto antigamente, eu acho. Naquela época, primeira metade dos anos 2010, surgia uma banda diferente todo mês. Geralmente elas acabavam no mês seguinte, mas haviam mais bandas e gente querendo fazer, então a minha impressão é de que a cena era maior. Da leva de bandas que surgiu nessa época, que eu saiba, nós somos os únicos ainda na ativa.



  • Vocês já fizeram vários shows fora de SC. Pra vocês, quais são as maiores dificuldades de realizar um rolê desse? E para além das dificuldades, como se sentem tocando em outras cidades?


A principal dificuldade remete, é claro, às imposições capitalistas em nossas vidas. Sair pra fazer duas datas em outro estado depende de termos dias livres para viajar e disponibilidade nas agendas e demandas do cotidiano. Quanto aos gastos, eles existem e todas as vezes que tocamos em outros estados tivemos que tirar algo dos bolsos, mas eu pessoalmente não vejo como problema. A Atlantis gosta de viajar e tocar longe pra se divertir, viver experiências novas, fazer amigos e ter história pra contar, então gosto de pensar da seguinte forma: "estou viajando com meus amigos pra conhecer uma cidade nova, que eu provavelmente nunca visitaria se não fosse pelo Rock, então que me importa gastar um pouco?" Essa nossa última viagem pro Rio Grande do Sul inclusive foi a primeira vez que eu visitei o estado.



  • Além das referências claras do heavy metal tradicional, quais são as outras inspirações que vocês tem? (Pra além da música também)


Nossas referências são principalmente literárias e cinematográficas, temas que permeiam algumas músicas nossas. Posso citar Michael Moorcock e Frank Herbert como inspirações literárias que inspiraram músicas diretamente, mas indiretamente também temos influência de Edgar Allan Poe, Lovecraft, Tolkien e muitos outros que daria pra ficar horas falando a respeito kkk. Mangás/animes como Berserk, Akira, Alita e Evangelion também servem como influência no nosso escopo artístico. Quanto ao cinema, somos inspirados por algumas obras clássicas da ficção científica como Blade Runner, Duna, 1984 e alguns filmes de diretores como Nicolas Winding Refn (principalmente Drive e Valhalla Rising).



  • Conte-nos sobre os planos da Atlantis para o futuro.


Em 2026 nosso objetivo é tocar o máximo possível, divulgando o segundo álbum. Temos planos de tocar em São Paulo e Paraná no segundo semestre. Para 2027, vamos focar em terminar nosso terceiro álbum, para o qual já temos sete músicas que, na minha opinião, são as melhores que compusemos até então. Depois de fazer mais duas ou três canções, entraremos em estúdio para gravá-lo e depois do lançamento cair na estrada de novo, alcançando horizontes mais distantes. Paralelamente, também pretendemos expandir as atividades da nossa recém-nascida produtora, a Burning Church Produções, idealizada a partir da nossa experiência em organizar o lendário show do Velho no Hangar 7 ano passado.



  • Deixem uma mensagem final para quem for ler essa entrevista.


Gostaria de agradecer ao Blast Beat Under Media pelo espaço concedido e por cada leitor que tirou seu tempo para conhecer a Atlantis melhor.


Lembrem-se: The true must keep the spirit alive!

 
 
 

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